domingo, 2 de outubro de 2011

A Lisboa e o Porto que amo I (Portuguese only)


Muitas vezes vejo-me a pensar nestas duas cidades e há sempre aquela mítica questão: Quais das duas cidades a melhor? Lisboa ou Porto? Qual a mais bonita?

Os nortenhos que conheço puxam pela sua sardinha, e admito que eles pegaram-me esse entusiasmo pelo Norte. O Porto tem o seu encanto, o seu ar e maneira de ser, mas nada supera as minhas raízes. A minha casa é Lisboa. Nasci em Lisboa e cresci nela. É difícil ser imparcial.

Lisboa é uma cidade cheia de luz, mesmo quando está nublado ou a chover os edifícios mostram suas cores e formas. Os passeios tem seus desenhos pretos e brancos e como é obvio, Lisboa continua a ter as novas avenidas, a zona da Expo toda moderna e os bairros labirínticos antigos onde se mantêm alguma da tradição da cidade. Uma coisa que eu gosto é essa dualidade. O novo e o antigo andam de mãos dadas e combinam-se no movimento da cidade. 
O mais importante contudo não é apenas a arquitectura e o aspecto da cidade mas sim as pessoas. A cidade sem pessoas não é nada e aquilo que dá o espírito e aquele toque especial é mesmo as pessoas e a sua maneira de ser. Posso não ser uma grande socialite, mas do pouco que conheço consigo criar uma imagem das pessoas de Lisboa (e do Porto também, mas falarei mais disso mais tarde). Eu digo pessoas de Lisboa e não lisboetas, porque enquanto que é fácil fazer o retrato de um portuense (ou como carinhosamente nós os chamamos: "tripeiros") é difícil, ao menos para mim, fazer um retrato de um lisboeta. A minha teoria sobre isso é que Lisboa foi desde sempre uma cidade cosmopolita e isso implica uma grande mistura de identidades e maneiras de estar. A maneira de estar lisboeta é retalhada e mesmo assim há algumas coisas que todos temos em comum e um deles é o espírito de adaptar ao novo e o espírito de luta. Um lisboeta sabe que nunca pode contar com ninguém, nem com a própria família. Lisboa é a cidade das oportunidades e do novo e todos aqui lutam para as agarrar e para ganhar o seu quinhão. Ambição e Poder é tudo, havendo mesmo quem diga que é o seu trabalho e que tem direito a tudo, até mesmo espezinhar outros, só porque se julga que o que faz é importante e tem mais valor que os outros. Lisboa é assim: uma selva de arrogantes (ok nem todos são, mas muita gente é assim em Lisboa) que pensa que uma boa vida é estar a cima de tudo e todos. Mas nem tudo em Lisboa é mau. Nós adoramos receber pessoas e adoramos conhecer novas maneiras de estar. Tratamos bem as pessoas, mas não gostamos que bisbilhotem e se metam no nosso caminho. Somos pessoas independentes e a arrogância é boa ... em moderação, pois há que acreditar em nós mesmos, mas não se pode ignorar e espezinhar os outros. Como disse e repito, nem toda a gente em Lisboa é assim, mas pelo que vivi é o que eu posso dizer.

O Porto que eu vi tem outra maneira de estar. Pode ter entrado a pouco tempo na minha vida e há muito ainda que não vi, mas foi-me possível conhecer parte da cidade e as suas pessoas. 

O Porto é uma cidade com um aspecto mais robusto. As cores parecem mais baças e escuras. É uma cidade carregada. Os edifícios e os passeios parecem misturar-se no cinzento e isso não ajuda a que haja muita luz. É uma cidade com um aspecto quase gótico e isso de certa forma encantou-me. O moderno e o antigo também se misturam no Porto, mas acho que essa mistura ficou mais conseguida em Lisboa, pois maior parte do Porto que vi tem um aspecto antigo.
No que toca as pessoas notei diferenças e é normal que haja algumas. O Porto é uma cidade mais pequena e sendo um meio mais pequeno é mais fácil sentir-se menos isolado que em Lisboa (Se em Lisboa dizem "aqui toda a gente conhece toda a gente" no Porto há mais proximidade e contactos). Podemos não sentir isolados, o que não é mau, mas com isso vem o facto de que é difícil não envolver as pessoas nos nossos problemas e haverá sempre alguém a bisbilhotar. Outra coisa que eu também reparei é que no Porto as tradições ainda estão vivas (muito mais vivas que em Lisboa). O antigo é muito protegido e mantido e eu acho que é precisamente porque ainda é um meio relativamente pequeno e as pessoas não são muito abertas ao diferente. Em Lisboa somos totalmente abertos ao exterior e isso leva a uma falta de personalidade. Lisboa olha sempre para as outras capitais. O Porto não. O Porto não é uma "Maria vai com elas" e a sua maneira de ser não deixa a que novas ideias e maneira de estar sejam bem recebidas, mas não são ignoradas ou rebaixadas como em Lisboa. Em resumo, o que eu acho que é "ser nortenho" é ser alguém que respeita muito as tradições e região do Norte, que defende o que ama com unhas e dentes e que está sempre disposto a lutar pelos seus e pelo que acredita. Não se deixa entusiarmar pelo novo, mas quando percebem que esse novo ajuda a progredir são os primeiros a apostar nisso. Como é obvio também têm um grande sentido de humor e estão sempre prontos para gozar com os "alfacinhas".

É assim que defino as duas cidades. Posso estar errada em muita coisa, mas ainda tenho tanta coisa para saber e conheçer que é mais que normal que tenha falhado em muita coisa. Quando não se sabe não se conheçe e o desconhecido nunca é visto com bons olhos, dai dizer-se sempre que as aparências enganam. Sem falar que as cidades estão em constante mudança e o Porto e Lisboa que conheço podem muito facilmente mudar.

Há que lembrar também que eu não escrevi isto para insultar ninguém. Eu respeito e gosto muito de ambas as cidades. Adoro-as e gosto das suas gentes.

Agora, a resposta que dou a pergunta do inicio do texto (Qual das duas cidades eu gosto mais?) eu apenas digo: São duas cidades diferentes com encantos diferentes. Não dá para comparar. Lisboa viu-me nascer e crescer e o Porto está a entrar na minha vida.

Rita


Sem comentários:

Enviar um comentário